Considerações entre a má alimentação, depressão e suicídio

Estamos terminando o mês de setembro e ouvimos muito durante todos estes dias sobre a campanha de prevenção ao suicídio. Meu objetivo com este artigo é chamar a  atenção para alguns aspectos que normalmente não são priorizados no debate deste tema.

O suicídio é uma das  três principais causas de morte que estão em ascensão, juntamente com as overdoses de medicamentos e a doença de Alzheimer. As estatísticas revelam que as taxas de  suicídio vêm aumentando de forma acentuada e constante desde o início dos anos 2000, tragicamente, também entre crianças e adolescentes, e o foco das atenções para explicar este fato repousa principalmente sobre o aumento da depressão. No entanto, apesar dos novos medicamentos antidepressivos, não chegaremos rapidamente a lugar algum, a menos que comecemos a abordar o tratamento e a prevenção da saúde mental de uma perspectiva mais holística e não apenas bioquímica e medicamentosa.

Como sabemos, os medicamentos antidepressivos podem não funcionarem muito bem, em alguns casos,  e ainda tem o problema dos seus efeitos colaterais que são inúmeros. Enquanto isso, as deficiências  nutricionais, o declínio na interação social ocasionada pelo aumento da dependência das mídias e tecnologias sociais, a exposição excessiva aos campos eletromagnéticos (Celular e Wi-Fi) , a falta de sono com qualidade, a falta de propósito de vida ou conexão espiritual e estresse crônico não resolvido, são apenas alguns dos fatores que podem contribuir para a depressão e/ou ideação suicida, nenhum dos quais pode ser tratado por novos ou mais medicamentos.

A depressão é um dos transtornos mentais mais comum, afeta milhões de pessoas, e é a principal causa de problema de saúde e incapacidade no mundo. Pode ser uma doença terminal se uma pessoa tenta continuamente e, eventualmente, consegue tirar a própria vida, mas certamente não é a única causa de suicídio. Os traumas e perdas da vida de uma pessoa e a maneira como responde a elas é infinitamente variada e dependente do contexto.

De acordo com dados do CDC.”gov, Suicide Rising Across the US.” mais da metade das pessoas que cometem suicídio não têm uma condição de doença mental conhecida, e segundo uma pesquisa desta mesma instituição , outros fatores contribuintes para o suicídio  incluíram:

  • Problemas de relacionamento (42%)
  • Uma crise nas últimas ou próximas duas semanas (29%)
  • Abuso de substâncias (28%)
  • Um problema de saúde física (22%)
  • Trabalho ou problema financeiro (16%)
  • Problema criminal ou legal (9%)
  • Perda de habitação (4%)

Alguns sinais de alerta de  pensamentos ou proximidade do suicídio

  • Sentindo-se preso ou com dores insuportáveis
  • Mudanças extremas de humor
  • Sentindo-se como um fardo
  • Sendo isolado
  • Aumento da ira ou raiva
  • Expressando desesperança
  • Aumento da ansiedade
  • Maior uso de substâncias
  • Procurando uma maneira de acessar meios letais
  • Dormindo muito pouco ou muito
  • Conversando ou postando sobre querer morrer
  • Fazendo planos para suicídio

O que fazer para ajudar.

  • Pergunte como estão se sentindo e se estão pensando em terminar sua vida, ou se planejam fazê-lo.
  • Não os deixe sozinhos e faça o seu melhor para mantê-los seguros
  •  Encaminhe rapidamente a um acompanhamento médico e psicológico
  • Torne-se disponível. Não faça críticas.
  • Entre em contato com diariamente e ajude a se reconectar com os outros.

Intervenções nutricionais que demonstraram ser benéficas

Um dos primeiros passos é limpar sua dieta e cuidar da saúde intestinal, caso contrário, você não terá praticamente nenhuma chance de ficar emocional e mentalmente saudável. Os alimentos têm um imenso impacto no humor, na motivação e na capacidade de lidar e ser feliz. Evitar açúcar e grãos, com os quais os alimentos processados são carregados já é um bom começo.  

Otimize seu nível de:

  • Gorduras ômega-3 = São realmente importantes para a função cerebral e saúde psicológica, principalmente o tipo DHA. Os ácidos graxos Omega-3 são conhecidos por serem componentes fundamentais da membrana externa das células cerebrais. É através dessa membrana que todos os sinais nervosos fluem. Então a presença de Omega-3 cria um ambiente ideal para a troca rápida de “mensagens” entre as células do nosso cérebro. Se o cérebro para de receber Omega-3, ele procura se adaptar a essa deficiência. Como consequência ele fica “preguiçoso” e as respostas passam a ser mais lentas. Quando esse comportamento é repetido dia-após-dia, o cérebro passa a encarar esse novo estado como sendo o seu novo padrão normal de funcionamento.É aí que problemas de memória, alterações de humor e dificuldades de aprendizado podem se tornar frequentes. O organismo é incapaz de produzi-los, por isso deve-se obtê-los por meio da alimentação como: peixes, algas, semente de linhaça e castanhas. Peça suplementação a seu médico.
  • Vitamina D = Receber exposição solar suficiente para obter um nível saudável de vitamina D. Sua deficiência é na verdade mais a regra do que a exceção e, está implicada em distúrbios psiquiátricos e neurológicos. Pessoas com níveis mais baixos de vitamina D, são 11 vezes mais propensas a ficar deprimidas do que aquelas que tinham níveis normais. Peça suplementação ao seu médico.
  • Vitaminas do complexo B = Desempenham um papel na produção de certos neurotransmissores importantes para a regulação do humor e outras funções cerebrais. A deficiência da vitamina B9 foi observada entre as pessoas com depressão, assim como a deficiência de B6 que é o cofator das enzimas que convertem o L-triptofano em serotonina, que é o hormônio do bem estar.

Vitaminas B6, B8 (inositol) e B12 em combinação são eficazes para melhorar os sintomas esquizofrênicos. A deficiência de vitamina B12 e Folatos pode desencadear depressão, mania, psicose e delírios paranoicos, assim como a deficiência  de B8 pode agravar o pânico e o TOC.

Este complexo de vitaminas têm um impacto direto no ciclo de metilação e são  necessárias para a produção e função dos neurotransmissores e a manutenção de mielina, a bainha gordurosa que cerca as células nervosas. Sem esse revestimento protetor, os sinais nervosos tornam-se lentos e esporádicos, o que pode levar a problemas de função motora, perdas cognitivas e alterações de humor.

Fontes:  Vitamina B6 estão a carne vermelha, aves, peixe, legumes, ricota, batatas, bananas, melancia, espinafre e sementes de girassol. Folato incluem, o chá verde, vegetais de folhas verdes, feijões, legumes e frutas.                                                                                          B12, é recomendado comer carnes magras, peixe, aves, ovos, laticínios, leveduras alimentares, cereais enriquecidos e leite de soja. Podem-se ainda tomar suplementos de vitamina B, com orientação médica.

  • Triptofano = Aminoácido utilizado pelo cérebro que ajuda na produção de serotonina (neurotransmissor importante no processo bioquímico do sono e do humor). O corpo não produz o triptofano é preciso ingeri-lo por meio de alimentos como, banana, aveia, pinhão, amêndoas, cacau, abacate.
  • Ferro = A deficiência de ferro, um problema comum principalmente entre as mulheres, também pode causar depressão, além de levar a um número insuficiente de glóbulos vermelhos. Por sua vez, a insuficiência de glóbulos vermelhos pode causar fadiga, confusão, perda de apetite, irritabilidade e outros sintomas emocionais. Para aumentar a ingestão de ferro, é recomendado comer alimentos como carne vermelha, soja, beterraba, peixe, farinha de aveia, manteiga de amendoim, espinafre, feijão, romãs e ovos. No entanto, para aumentar a absorção do ferro pelo corpo, é preciso consumir, juntamente com ele, também alimentos ricos em vitamina C.
  • Selênio = Atua em enzimas que diminuem o estresse oxidativo do cérebro, ou seja, trabalha para que o cérebro “não envelheça”. Está diretamente associado ao ciclo de vida das células. Colabora na eliminação de toxinas, como mercúrio, que provocam problemas cerebrais. Está ligado à produção dos hormônios da tireoide.  A baixa oferta de selênio no organismo aumenta os riscos de problemas de cognição e pode até agravar quadros de patologias cerebrais. Há estudos que apontam a deficiência desse mineral como uma das causas de surtos de mau humor. Como consumir: a principal fonte é a castanha-do-pará. Duas unidades diárias fornecem a quantidade adequada do micronutriente. Também é encontrado em lagostas e caranguejos.
  • Zinco = Está relacionado à proteção de neurônios e à melhora de quadros de estresse oxidativo, que contribui para o aumento do risco de doenças como depressão e Alzheimer. Como promove a síntese da dopamina e da serotonina, é um importante agente na diminuição da depressão. Carência piora o estresse oxidativo, o que aumenta riscos de depressões e Alzheimer. O desequilíbrio pode estar associado à morte de neurônios e à queda na qualidade do sono. Como consumir: carnes vermelhas, amêndoas, frutos do mar e ostras.
  • Cromo = Atua nos receptores da serotonina e no aproveitamento da glicose pelo cérebro – consequentemente, está relacionado à regulação de humor e emoções. No corpo, tem papel fundamental no metabolismo de gorduras e açúcares. Também age sobre a taxa de colesterol. A falta de cromo compromete o transporte da glicose para as células. A carência desse elemento é capaz de acarretar altos e constantes níveis de glicose no sangue, o que pode levar ao diabetes. Como consumir: ovos, carne, aveia, linhaça, brócolis.
  • Magnésio = É responsável por ativar mais de 300 reações enzimáticas diferentes do nosso corpo. É crucial para transmissão nervosa, contração muscular, coagulação sanguínea, produção de energia, metabolismo de nutrientes e formação de osso e células. Sua falta tende a ampliar a reação do estresse, alterando o equilíbrio entre adrenalina e cortisol que pode levar a fadiga crônica, depressão e dificuldade de concentração e aprendizado. Mais concentrado em espinafre, couve, acelga, sementes de abóbora, iogurte e amêndoa.

Evitar alimentos com:

  • Glúten = O nível de glúten em nossos grãos está muito mais alto do que nunca, graças a várias técnicas transgênicas de produção. Pode causar depressão e transtorno de comportamento em pessoas sensível a ele. Nesse caso, a chave é remover completamente o glúten da dieta.
  • Açúcar = Aumenta a produção de insulina. Leva a um estado de euforia seguido de tristeza. O resultado é um consumo ainda maior do doce, o que leva ao recomeço do ciclo depressivo. Aumenta a irritabilidade e a agitação, principalmente em crianças.
  • Gorduras trans (vegetais solidificados ou hidrogenadas)
  • (Fast food) – Produto alimentício em pacotinhos em geral. = Aumentam a produção de citocinas, moléculas pró-inflamatórias que podem desencadear o mau funcionamento dos neurônios. Elas interferem na transmissão nervosa e podem diminuir a produção de serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar.

Cuidados com o intestino

O intestino já é considerado nosso “segundo cérebro”, afinal é ele que controla as emoções, estado mental e nossas preferências alimentares. A saúde deste órgão é o que determina o bem-estar do cérebro. Sabe o que o frio na barriga durante o medo, o enjoo quando estamos assustados e a sensação de “borboletas no estômago” têm em comum? São sintomas causados pela conexão entre os transmissores do intestino e do cérebro. O intestino produz e armazena 90% do neurotransmissor responsável pelo bom humor e memória. A serotonina processa e transmite informações e estímulos sensoriais por intermédio dos neurônios. Quando há queda no nível do neurotransmissor a saúde física, mental e as emoções ficam comprometidas.

Desequilíbrio na composição dos micro-organismos que habitam nosso intestino pode levar à disbiose, condição que pode predispor a quadros inflamatórios e a quebra crescente da conexão cérebro-intestino que nos mantem mentalmente saudáveis. Fatores que influenciar diretamente na composição da microbiota intestinal:  Uso de antibióticos e anti-inflamatórios, dieta, estresse, poluição, cigarro, álcool, hereditariedade, estilo de vida, doenças e ferimentos.

Considerando os desequilíbrios hormonais

O climatério, a menopausa e outros desequilíbrios hormonais são frequentemente confundidos  com depressão. Atualmente, as mulheres estão entrando no climatério em idades mais jovens; alguns até antes dos 40 anos, e essa fase pode durar anos. Mulheres que nunca tiveram TPM podem apresentar subitamente sintomas bastante graves, deprimidos, mal-humorados, irritados e auto destrutivos. É preciso equilibrar os hormônios e isto inclui uma dieta nutritiva além de uma desintoxicação para garantir uma boa função do fígado.

Alguns fitoterápicos podem ser úteis contra estes sintomas. Hormônios base, como a progesterona, são outra opção que pode ou não ser necessária, dependendo de cada situação. Também deve se considerar a deficiência de testosterona nos homens. Depois de acertar a combinação certa, os sintomas geralmente diminuem ou desaparecem em poucas semanas.

Diante de todas estas considerações, é fundamental procurar preventivamente ou ao menor sinal de aparecimento dos sintomas citados acima, um médico e um psicologo para acompanhá-lo numa jornada em busca das suas causas, para juntos trabalharem no reequilíbrio, bem estar e alegria de viver de novo.  Um forte abraço e até breve! 

Drª Marcia Tornavoi – Médica Nutróloga e Médica Bio-FAO. -CRM 58771 RQE 40397

São Paulo 11 3813-2261       São Paulo   11 5579-9090       Uberlândia 34 3255-2112

Referências:

  Institutos Nacionais de Saúde Mental, Depressão Maior entre Adultos

  OMS 30 de março de 2017

 Medicinenet.com 16 de março de 2017

 CDC.gov, Suicídio em ascensão nos EUA

 Crisistextonline.org

 Journal of Chemical Neuroanatomy, setembro de 2016; 75, parte B: 43-51

  JAMA. 2010; 303 (1): 47-53

  PLOS Medicine 26 de fevereiro de 2008

 Psychological Medicine 16 de fevereiro de 2017, DOI: https://doi.org/10.1017/S0033291717000022

 British Medical Journal 956 15 de dezembro; 2 (5006): 1394–1398

 British Medical Journal 956 15 de dezembro; 2 (5006): 1394–1398 (Artigo completo, PDF)

 Associação de Ansiedade e Depressão da América, TCC para transtornos de ansiedade e depressão

Revista de Comportamento Humano no Ambiente Social 2012; 22: 463

 Journal of Alternative and Complementary Medicine, fevereiro de 2017, Tratamento do Transtorno Depressivo Maior com Iyengar Yoga e Respiração Coerente: AR

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